terça-feira, 19 de junho de 2018

Diga 32!

Os 31 foram um ano em grande. 
Trouxeram-me uma gravidez, um filho e uma nova forma de encarar a maternidade. Trouxeram-me algumas certezas, misturadas com perspectivas de que algo terá de mudar, a bem de mim mesma e da minha família.
Mas infelizmente, os 31 não me trouxeram mais paciência, mais otimismo nem mudaram a minha péssima capacidade de sofrer por antecipação. Continuo a pensar (demais) em tudo o que pode (ou não) acontecer. 

Esperemos que os 32 me ajudem a mudar um pouco isso. A ser mais paciente, a saber aceitar que nem tudo é como eu quero que seja, a lidar melhor com as reviravoltas e com os planos que nem sempre correm como planeado. Devo dizer que tenho um (pouco) de receio de certas mudanças que os 32 me poderão trazer. Eu sou aquela pessoa que normalmente está na zona de conforto e mesmo que saiba que posso, a longo prazo, estar melhor do que estou agora, tenho uma enorme dificuldade em arriscar. 


O que eu quero mesmo muito que os 32 me tragam é confiança. Confiança que os 32 me tragam um novo rumo a nível profissional e confiança de que tudo vai correr bem nesta nova família vivida a quatro, ainda a reajustar-se a tudo. 




 Confia, Pimenta, que tudo vai correr pelo melhor. 

quarta-feira, 13 de junho de 2018

Refresh the look.

Eu: Tens que mudar o header do blogue. Aquilo tem imagens alusivas ao inverno, até tem um floco de neve!
Ele: Não sei qual o problema. O header está mais que adequado ao tempo em que vivemos. 

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Facto 1: É ele que trata sempre dos headers deste blogue. Ele é o único que me conhece e que sabe o nome do meu blogue.

Facto 2: Ele até tem razão. Este ano, a primavera mal se viu e andamos todos a ressacar por uns dias bons de sol. Dizem que vem aí o bom tempo. Pois dizem... mas não é para estes lados de norte litoral, pelo menos. É mais para as gentes do Alentejo e do Algarve. Porque, ao que vi, por aqui, nos próximos dias, o vento vai ser capaz de nos levar pelo ar se não estivermos bem agarradinhos ao chão.

Facto 3: Vamos continuar sem pôr os pés na praia. E acho que tanto eu, como a miúda mais velha, estamos a precisar de um tempinho na praia para matar saudades de fazer covinhas e túneis e piscinas de água do mar.

Facto 4: Gosto muito do sítio onde vivo mas às vezes, é uma canseira ter de levar com nortadas.


quinta-feira, 7 de junho de 2018

Os lambe botas no trabalho não fazem com que as empresas melhorem. Bem, pelo contrário.

Em (quase) todas as empresas, sejam pequenas, médias ou até mesmo grandes organizações, há aquele tipo de trabalhador que identificamos facilmente como o "lambe-botas". 
Como é que identificamos um lambe-botas
Pois bem, é aquela pessoa que diz que sim a tudo o que a chefia diz (mas por trás, até pode criticar e condenar), é aquele que fica sempre para lá da hora de saída, é aquele que quase se deita no chão para o diretor passar por cima.  

No meu local de trabalho, há uma pessoa assim. 
Gosto muito da N. mas reconheço-lhe estas características. Não foi algo notório desde o início, mas com o passar do tempo, percebi que é a pessoa que mais critica a diretora mas é aquela que pela frente, concorda com tudo, diz que sim a tudo, trabalha 13 horas por dia (sim, leram bem! 13 horas por dia fora os sábados, em que trabalha cerca de 5 horas) e está a recibos verdes, trabalhando ela lá há cerca de 10 anos.
10 anos num mesmo local a recibos verdes?! Sim, é possível.
Eu própria já me questionei se devia pressionar a diretora no sentido de me fazer um contrato. Estou lá há quase 8 anos e estou a recibos verdes, num regime que de recibos verdes só tem mesmo o nome. Mas como vou eu falar num contrato, se a pessoa que está lá há mais tempo e que dá "tudo" à casa, continua nesta situação de precariedade e nada faz para mudar?

É devido a pessoas como ela que, no meu local de trabalho, há exploração. Sim, não tenho dúvidas disso e já disse pessoalmente à N. isto. 
Se todas batêssemos o pé, se fôssemos dizendo que não a certos pedidos que nos acarretam cada vez mais pressão neste trabalho, talvez as coisas não fossem tão más como são. Se todas fôssemos mais ativas na conquista de certos direitos básicos (como o de conseguir almoçar em pelo menos meia hora - houve muitos dias em que almocei em 10 minutos), talvez tudo fosse mais digno. 

Já disse que "não" a certas coisas. Eu já dei a minha opinião quando achava que o devia fazer, mesmo sendo oposta à opinião da diretora. 
O que ganhei com isso? Pouco. A diretora do meu local de trabalho é aquela pessoa que pede opinião mas a decisão já está mais que tomada. Se eu disser que aquilo é branco, sendo amarelo, ela vai tentar provar-me por a+b que ela é que tem razão. À custa do meu caráter mais reivindicativo comecei a ser falada e julgada pela diretora. Resta-me a consolação que fui dizendo, nos últimos tempos, o que achava e que fui verdadeira nas minhas palavras. 

Posto isto, a licença de maternidade em que me encontro tem sido um tempo de reflexão. Não é isto que eu quero para a minha vida. Tenho dois filhos e não preciso de um trabalho que me explore fisicamente e psicologicamente. Quero um trabalho digno, onde me sinta respeitada. Se os lambe botas deste mundo querem ser explorados, que o sejam. Mas eu tenho de decidir se quero continuar a ser explorada ou se quero ter um trabalho com o mínimo de condições. 
O futuro é incerto, por aqui. Tenho de tomar decisões. Mas acima de tudo, quero sentir-me livre (e feliz no que faço).



quarta-feira, 6 de junho de 2018

Precisamos (urgentemente) de mudar algo nas escolas de Portugal.

"(...) Entre os mais de 90 mil alunos que realizaram as provas de aferição de História e Geografia do 2.º ciclo, no ano passado, 45% não conseguiram localizar Portugal continental em relação ao continente europeu utilizando os pontos colaterais da rosa-dos-ventos. Ou seja: não conseguiram localizar o país no Sudoeste da Europa.
(...)
O "problema", acrescenta, não estará exatamente no conhecimento da matéria. Mas na capacidade de o aplicar quando não se trata apenas de repetir factos memorizados. 
(...)
Na Matemática, os alunos "revelam grandes dificuldades com o conceito da divisão". As frações, consideradas nucleares para a continuidade da disciplina, são outro calcanhar de Aquiles apontado, quer nos relatórios de 2016 quer nos de 2017. No Português, a interpretação de textos e a capacidade de os redigir corretamente aparecem frequentemente entre os problemas sinalizados.
(...) 
os resultados "obrigam-nos a repensar no processo que temos em termos de sala de aula", num "processo interativo entre a atitude dos professores e dos alunos".
retirado daqui



Ontem veio a público esta notícia relativa a algumas conclusões que se retiraram das provas de aferição do 5º ano. Eu trabalho precisamente com alunos do 5º ano. E tudo isto não me surpreende. Tenho alunos que no início do 5º ano, quando dão a introdução à disciplina de História, não sabem que o país ao lado de Portugal é Espanha. E tendo pela frente o mapa da Europa, não sabem onde está Portugal. Depois de muito trabalho e insistência da minha parte, ficam a saber (mas será que ainda se lembram passado uns meses?), mas nada destes dados agora vindos a público me surpreende. 

O que me preocupa é o ensino que temos atualmente em muitas escolas do nosso país. É tudo à base do "colar" a matéria e debitar no teste. Se conseguirem ter uma boa memorização, chegam ao teste, debitam o que sabem, tiram boa nota, mas será que são mesmo bons alunos?!
Muitos não percebem o que estão a estudar. Aliás, vêm da sala de aula sem nada perceberem, não perguntam ao professor da escola as dúvidas e depois compete-nos a nós, que estamos a auxilia-los no estudo, fazer com que aquilo que estão a estudar ganhe sentido e nexo na sua cabeça. 
Se eu consigo sempre isso? 
Não. 
E porquê? Porque as salas de estudo trabalham com massas (infelizmente!). São demasiados alunos dependentes e nem sempre consigo chegar a todos eles. E isso é uma das grandes frustrações do meu trabalho. Não sabem a sensação que é sair às vezes do trabalho e sentir que não cheguei a todos. Os bons alunos querem atenção porque têm de manter as boas notas, os maus alunos precisam de uma atenção imensa para que consigam perceber aquilo que na escola não faz sentido. E todos os pais querem resultados porque é para isso que pagam um centro de estudo. E nós, funcionários, tentamos reportar isso à direção, que não conseguimos chegar a todos, mas dizem que o que os pais pagam não dá para ter outro professor na sala. 

Àparte destas (importantes) questões, preocupa-me mesmo muito:

  •  o facto de termos alunos a sair do primeiro ciclo tão mal preparados. E isto acontece nas escolas públicas, mas também nas privadas, porque trabalho com crianças que estão nos dois tipos de ensino e sei bem do que falo. Acabam o quarto ano e quando chegam ao 5º ano é uma mudança brutal. E se as bases forem trémulas, é um descalabro (e já agora posso dizer pelo que tenho visto que os recentes professores de 1º ciclo necessitavam de uma preparação bem melhor nas faculdades - há pessoas licenciadas em 1º ciclo que dão erros ortográficos em fichas preparadas por eles, fora outros belos exemplos que eu podia dar aqui).
  • Percebo bem os pais que me dizem que num 5º ano, com uma média de 10 anos, os alunos ainda são umas crianças que precisam de brincar e que hoje em dia, estes alunos não deviam de passar tanto tempo a estudar. Eu percebo essa inquietação. Miúdos de 10/11 anos não têm ainda a maturidade e o ritmo necessário para perceber que já têm de dedicar uma grande parte do seu tempo ao estudo. Mas então algo está mal no ensino e algo tem de mudar. E é urgente pensar nisso. 
  • A cultura geral dos alunos é cada vez menor. Não sabem quem é o primeiro ministro. E digo-vos já que alguns alunos chegam a um 5º ano e não sabem qual é a capital do país. Não vêm o telejornal nem lêem. Preocupante, no mínimo.
  • O currículo escolar do 1º ciclo nem sempre é adequado à maturidade dos alunos. Um exemplo muito prático: se pegarem num manual de matemática do 3º ano, na parte das frações, vão perceber que eles têm de saber o que são frações próprias, frações impróprias, frações equivalentes e irredutíveis e saber resolver problemas envolvendo números racionais. E fazer com que uma criança de 8 anos perceba este tipo de termos?!  


Se perspectivo alguma mudança no ensino a breve prazo? 
Não. Vamos continuar a ter alunos assim. 

***
Claro que não posso generalizar e posso dizer que há alunos que não precisam de estudar tanto porque captam a essência na sala de aula e isso é mais que suficiente para boas notas tirarem. Mas hoje em dia, eu arrisco-me a dizer que são cada vez menos alunos a ter um perfil assim: autónomos, responsáveis, atentos e interessados pelo mundo em redor. Mas é disto que precisamos num futuro muito próximo. De alunos que sejam pessoas conscientes e informadas. 

quarta-feira, 30 de maio de 2018

Quem me mandou a mim ter pés fãs de ténis?

Domingo que passou tive a primeira de muitas festas - a primeira comunhão do afilhado do meu marido. 

Tempo estava horrível: estamos quase em finais de maio e estava um vento frio e o sol nem vê-lo. Decidi a roupa que ia levar no próprio dia e não tive frio mas vi muita gente, fora da igreja, de vestidinhos de alças arrepiadas até à medula. Que tempinho imprevisível. 

Calçado: levei os únicos sapatos pretos com o mínimo de tacão possível em que me aguento. Mas por uma questão de segurança, pus as sabrinas num saco e coloquei-as na mala do carro. Foi a minha salvação!

Aguentei uma hora com os sapatos iniciais. 
Já o disse aqui: eu tenho um problema no que a sapatos de salto alto diz respeito, mas neste momento estou pior que nunca. Claro que não ajudou a minha filha mais velha ter tido um ataque de choro, dizendo que queria era vir embora da festa e tive de lhe dar colinho para ver se aquilo passava. Dezasseis quilos ao colo não ajudou, é um facto. Mas uma hora com uns saltos mínimos?! Só?! Cheguei ao final do dia e os meus pés pareciam que tinham sido atropelados por um carro devido àquela hora inicial. Uma hora deu cabo dos meus pés, que atualmente estão habituados a sapatilhas e nada mais.


O problema? Amanhã há nova comunhão. Para o mês que vem há batizado do filho e em finais de julho há casamento, no qual sou madrinha. Não quero pensar que os meus pés aguentam apenas uma hora em cima de uns saltos razoáveis e que as sabrinas vão ser a minha salvação. Quero acreditar que vou aguentar mais que isso nas próximas festarolas. (vou repetir isto em voz alta, muitas vezes, para ver se a mensagem chega aos meus pés de modo a que eles não se queixem tanto e ganhem juízo).