quinta-feira, 17 de setembro de 2015

A responsabilidade de ter pela frente a missão de os tornar melhores. Nem que seja um pouquinho mais.

Às vezes paro para pensar em que estado temos o ensino em Portugal. 
Paro para pensar e logo chego à conclusão que, se calhar, o melhor mesmo é nem pensar. Tenho uma aluna que transitou para o 3º ano e que nem o nome completo consegue escrever direitinho. Tenho alunos nesse ano escolar que nem sabem ler, que ainda juntam sílaba a sílaba para formar a palavra. E casos destes não é só no ensino público que encontramos. No meu caso concreto chegam-me alunos caóticos que andam no ensino privado. Os pais pagam e não é para eles chumbaram, já me disseram isso. 

Conheço professores fantásticos. Mas depois também conheço professores que de exigentes nada têm. Há de tudo, tal como em todas as profissões do mundo. Quais são os principais prejudicados? Os alunos. 

É uma sorte, diria eu. Eu tive um professor primário que era do mais exigente que há. Se calhar na altura era uma grande chatice, mas hoje reconheço que foi ele que me marcou todo o meu percurso na escola, que me fez ganhar responsabilidade. É o professor primário que marca o caminho académico de uma pessoa. 
Um ensino primário mal feito é meio caminho andado para um percurso escolar mais difícil. Depois chega-se a um 5º ano com conhecimentos pouco sólidos, com bases tremidas a português e a matemática. E depois vai-se passando, até se chegar ao 9º ano sabe-se lá Deus como. 
Chegam-me às mãos casos cada vez piores. E o meu maior receio é não conseguir ter mãos para chegar a todos os miúdos. A ver vamos como vai correr este ano. Paciência, respirar fundo e contar até 35675489. 
O mais importante é ter a consciência de que faço o meu melhor. Por mim e por eles. 

 

6 comentários:

Miss Purple disse...

É verdade ... faltar as bases é muito mau.
Eu no meu 4º ano foi mais importante preparar a festa da escola do que ensinar...enfim!

Suricate disse...

Finalizas o texto com a frase com que tento nortear a minha vida e passar esse mesmo princípio às minhas meninas "dar o melhor de nós", não vejo outra solução, mas há dias difíceis...
Na turma da minha mais nova o ano acabou com mais de meia dúzia de casos com 4 5 e 6 negas, concluí estúpidamente que iam reprovar. Chegado o dia das matrículas qual não é o meu espanto quando verifico que todos passaram, TODOS. Perguntei à DT qual tinha sido o milagre ao que me respondeu "Todos fizeram um esforço, passaram por mérito próprio." A minha resposta foi uma gargalhada monumental.
Como muito bem dizes há nos professores o bom e o mau como em todas as profissões, o problema é que ser bom, ou ser mau nesta profissão especifica marca a vida de dezenas, centenas, milhares...e os maus não pensam nisso todos os dias quando entram na sala de aulas.

Fica bem boneca jinhoooooossss e saudades "bizinha":)))))

FME disse...

Concordo plenamente contigo... Também tive uma professora primária muito boa, a mim a que me estragou a vidinha foi uma louca que tive a matemática no quinto e no sexto ano. Tive sempre que estudar muito mais para conseguir mais tarde acompanhar. Enfim.

Moa disse...

É preciso muita paciência, com eles e com os pais que muitas vezes querem resultados impossíveis.

rosa_chiclet disse...

Eu dou explicações a partir do 5ºano e noto que em muitos casos eles vêm super mal preparados da primária quer venham do público ou do privado..
E quando as bases faltam é super complicado..

beijos***

São Gémeos disse...

Eu não diria melhor. É com algum receio que encaro a escola primária, sem dúvida um dos alicerces da formação das nossas crianças. É urgente os nossos governantes começarem a dar mais atenção às nossas escolas e professores e dar lhes a dignidade, respeito evolução, que merecem.