quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Será que dá para remendar o que se quebrou com o tempo?

Estou naquela fase em que olho para a minha mãe e penso como raio chegamos a este ponto?
Ela é minha mãe mas eu não tenho uma relação especial com ela, como é suposto e como vem nos livros tendo em conta a existência de uma relação mãe-filha. Diria eu que tenho uma relação mais especial com outras pessoas do que com a minha própria mãe. Olho para ela e vejo falsidade, aparência e pouco mais. Como raio chegamos a este ponto?
Se lhe conto os meus problemas? 
Não. 
Se lhe confidencio algo? 
Não. 
Porque há muitos anos que não sinto compreensão e companheirismo do outro lado. Nem afetividade, nem carinho, nem confiança. Não quero beijos e abraços apenas quando os outros estão a ver. Não quero sorrisos apenas quando os outros estão a ver. Não quero ver a relação avó-neta apenas quando os outros estão a ver. Não quero ir a jantares de família e sentir que tudo é uma falsidade e que na realidade, o verdadeiro sentido de "família" esfumou-se com o tempo.
Como raio chegamos a este ponto?
Há alturas em que quando penso nisto, afasto de imediato o pensamento para não perceber que tenho aqui um problema. De mãe para filha e de filha para mãe. Ao negar pensar nisto, nego que existe um fosso enorme entre mim e ela. Mas a verdade é que ele existe. Vejo-a uma vez por semana, vamos lá almoçar ao domingo mas, por vezes, dou por mim a pensar que aquele tempo seria mais bem empregue noutros sítios e com outras pessoas. 
Se me sinto mal por pensar isto? Sim, claro. É suposto uma filha gostar de ir a casa dos pais almoçar, é suposto uma filha sentir-se bem em estar na casa onde vivi muitos anos antes de casar. 
Como raio chegamos a este ponto?


14 comentários:

A mamã vai casar disse...

Lamento muito que sintas isso em relação à tua mãe. Não consigo sequer imaginar nõ olhar para a minha mãe como uma amiga.

Bjs

Gorduchita disse...

Mais do que pensar em como chegaram a esse ponto, valerá a pena pensar no que poderá ser feito para sanar essa relação (se é que ainda é possível).
Manter contacto apenas porque sim, parecer-te-á sempre uma perda de tempo.
Vê se da tua parte há algo que possas fazer, ainda que a princípio possa parecer um investimento de esforço e de tempo sem resultados.
Tenta investir nessa relação, o que investes na relação com a tua Pimentinha! Quem sabe, a seu tempo, terás bons frutos?

J* disse...

Lamento imenso que exista esse fosso entre mãe e filha. Tenho 26 anos (ainda não sou muitos) mas até hoje não encontrei ninguém tão bom como a minha mãe. E é por isso que me custa ler relatos como o seu. Certeza que não há hipótese de se sentar frente a frente com ela e tentaram abolir aquilo que as está a afastar?! Tentarem chegar a um ponto de recomeço? Não deixe de tentar! Mesmo que ela não faça.

https://jusajublog.blogspot.pt/

Dina disse...

Resumiste bem a minha relação com a minha mãe: como raio chegamos a isto? Dói, porque não deveria ser assim. E não consigo perceber como uma mãe pode ter certos comportamentos com os filhos. E, já não tendo pai, admito que esta atitude me deixa muitas vezes à deriva

Anónimo disse...

Leio este bloque à algum tempo, nunca comentei mas hoje não podia deixar de o fazer. Porque poderia ter sido eu a escrever este post.
Tenho a mesma relação com a minha mãe ou até pior. Passamos semanas ou até meses sem nos vermos apesar de vivermos a 3 km de distância.
Se eu não for a casa dela, se eu não levar os meus filhos a ver avó ela também não os vai ver. Cheguei ao ponto que cansei. Sinto que os meus filhos não têm uma relação de amor com a avó para eles é apenas uma conhecida. E para mim é triste e não é assim que eu me vejo um dia a ter uma relação com a minha filha. Mas sinto que estamos num ponto sem retorno.

Ellie disse...

Nem sei o que dizer... Talvez que o tempo pode trazer as respostas às tuas perguntas e fazer perceber porque ela é assim? Não sei mesmo... Mas espero, do fundo do coração, que um dia as coisas mudem...

Beijinhos

Isa disse...

A minha relação com a minha mãe é boa, mas também não é o que esperava. Sei que posso contar com ela quando preciso de algo, mas não a tenho como confidente ou alguém com quem consiga desabafar e falar dos meus problemas. Também tenho muita pena que assim seja... mas ao fim de todos estes anos sei que já não adianta.

Coquinhas disse...

Não quero nem pensar como ser difícil :(

Sofia disse...

Fico triste ao ler estes relatos. Mas como a gorduchita disse podes ainda tentar encontrar respostas para as tuas perguntas e quem sabe encurtar a distância que vos separa e recuperar o afeto entre vocês!

Maruldinha Maruldinha disse...

Ola lendo aqui os comentários, me parece que você não é a unica a ter esse tipo de problema, eu não fui criada com minha mãe, e sim pela minha vó e tia, então esses laços maternais sempre tive com minha vó e tia e nunca com minha mãe, hoje crescida e ja mãe percebo que minha mãe foi ausente não so pelas circunstancias da vida mas também porque ela nunca se esforçou em ser mais presente, depois de passar anos a julgando por isso, decidi deixar para trás, hoje sinto que de todas as formas ela tenta recuperar esse tempo , mas não é facil, e o tempo que passou, passou, como vó não posso me queixar ela fez o que pode para ter com meus filhos o que não teve comigo isso ja acalma meu coração de certa forma, mas o principal mesmo é que eu resolvi perdoa-la, por tantos motivos, e também me perdoar pelos julgamentos, pois por mais que eu me esforce sei que jamais vou entender as atitudes delas, mas que não foi culpa de ninguém muito menos minha, e nem por isso me tornei uma mãe ausente, pelo contrario, sou a mae mais presente possivel, e então sendo assim percebi que mais depende do que o que a gente leva no coração, eu preferi levar o amor, se ela não tem,ou não teve, eu tenho e tive por nos duas!!! Bjucas

Xica Maria disse...

Fiquei triste ao ler.
Não conheço essa realidade e entristece-me saber que não há amor de uma mãe para uma filha... acho irreal. Sendo eu agora mãe o meu amor por eles é incondicional.
Que se passou com a tua mãe?

C. disse...

Compreendo-te perfeitamente... família não se escolhe mas talvez possam "lavar a roupa" um dia?

Beijinhos,
O meu reino da noite ~ facebook ~ bloglovin'

Moa disse...

Podia ter sido eu a escrever isto...

VerdezOlhos disse...

Sinceramente, acho que o tempo causa "estragos" irreversíveis. As pessoas voltam a fazer coisas e coisas que nos magoam e nós moldamos a nossa postura para com elas para nos protegermos do que nos faz mal. Não há grande volta a dar a isso. As atitudes têm consequências e as relações são alteradas de acordo com isso. Eu tenho uma relação difícil com a minha mãe. Há fases verdadeiramente insuportáveis e só conseguimos dar a volta a isso adaptando-nos à situação, arranjando formas de lidar com aquela pessoa de forma a nos salvaguardarmos de mais dores.
Desejo que consigas arranjar forma de lidar com a situação da melhor maneira que te for possível. Lembra-te que deves considerar-te a ti em primeiro lugar e que só podes fazer o "possível".
Não vale a pena martirizares-te a pensar no que podia ter sido ou como chegaram a esse ponto.
Beijinhos