quinta-feira, 6 de abril de 2017

Quando se tem de ser o melhor de todos.

Entristece-me a ideia que há pais que estimulam a competitividade extrema nos filhos. 
Entristece-me saber que conheço pais assim, que querem que os filhos sejam o topo. Se não o são, é um problema instalado. 
Eu até percebo que os pais queiram que os filhos se destaquem. Mas daí a tornar isso uma obsessão, vai um passo de gigante. 
Há miúdos que têm de ser os melhores no piano, na turma, no futebol, no atletismo, etc. E não me venham com a conversa que eles gostam de ser assim, os miúdos são assim porque lhes incutem essa ideia desde casa. 
A minha patroa é o exemplo perfeito do que eu não quero ser como mãe. E ainda bem que existem exemplos destes: aprendemos não só com os exemplos com os quais nos identificamos, como também com os casos que nos deixam sem palavras. O filho mais novo dela tem de ser o melhor na música, tem de ser o que tira melhores notas na turma e até no atletismo, o nível de competitividade existia, quando era suposto tratar-se uma atividade de lazer e de descontração. Na última competição, o miúdo ficou em 8º lugar e acabou por sair do atletismo. 
"Ele é como eu, ou se entra para se ser o melhor, ou então aquilo não tem piada. Desmotiva logo uma pessoa.", disse ela. 

Querida patroa, na vida, vamos percebendo que nem sempre conseguimos ser os melhores. Podemos tentar (e para isso, convém não atropelar ninguém para atingir os nossos fins), mas nem sempre chegamos lá. Se isso é um sinal de fracasso? Pode o ser, mas nem tudo depende estritamente de nós. Daí que seja também importante criarmos miúdos que percebam que lidar com o fracasso também faz parte da aprendizagem do que se chama de vida. 

4 comentários:

Gorduchita disse...

Tão, tão de acordo!!

A mamã vai casar disse...

Concordo com tudo o que dizes.
As crianças têm tanto tempo para serem competitivas quando forem adultas.
Deixem as crianças serem crianças, brincarem, viverem sem preocupações e sem pressões.

Maria do Mundo disse...

Eu fui a melhor do meu liceu há 27 anos. Nunca fui pressionada para isso. Talvez tenha sido por não ser pressionada. Não pressiono as minhas filhas para terem muito bom, senão a um item, ao comportamento. Gosto que tirem boas notas, mas, se não tiram e se esforçaram, não há crise, para a próxima será melhor.

C. disse...

Ai concordo plenamente contigo... não quero ser nada assim

Beijinhos,
O meu reino da noite ~ facebook ~ bloglovin'