terça-feira, 16 de julho de 2019

Quando arriscamos e a coisa até corre bem.

Há precisamente um ano começava uma nova etapa na minha vida profissional.

Durante 10 anos trabalhei em centros de estudos e percebi o que de mal (e de bom) acontece neste tipo de serviços. Aprendi muito mas também passei por muito. Ninguém imagina a pressão a que somos sujeitos e no meu último posto de trabalho, onde estive 7 anos a recibos verdes, onde dei tudo de mim, fui trabalhar doente, dormi mal muitas noites, pus do meu dinheiro para comprar material, gastei dinheiro em consultas com um psicólogo para me ajudar a lidar com tanta coisa que ia acontecendo, preparei muitas fichas e explicações em casa, cheguei a trabalhar 15 dias seguidos sem um único dia de descanso pelo meio e não estava a sentir o retorno do meu trabalho. Entre tantas outras coisas.

O nascimento do J. foi a reviravolta que eu precisava na minha vida. O tempo que fiquei em casa com ele foi fundamental para perceber que não conseguiria voltar àquele trabalho tendo dois filhos em casa, os quais não tinham culpa de eu despender tempo e energia com os filhos dos outros e não ter tempo para os meus.

Em final de Junho do ano passado, pus lá os pés pela última vez para dizer que não voltava. E passado 15 dias, surge a oportunidade de começar numa área totalmente diferente: no atendimento ao público, onde um curso superior não é, de todo, exigido a quem lá trabalha.

Arrisquei.

Precisava de trabalhar em algo diferente, precisava de saber se aquele trabalho me iria finalmente permitir chegar a casa e desligar.
O que eu queria mesmo era isto: um trabalho que me permitisse chegar a casa, ativar o botão off e estar com a minha família sem estar a pensar nas 7648326587 tarefas que teria de fazer no dia a seguir.

Passado um ano de lá estar, posso dizer que foi das melhores decisões que tomei nos últimos tempos. Ainda hoje noto alguma descrença quando me perguntam “Mas gostas mesmo do que fazes agora?
Sim, gosto muito. 
Gosto de lidar com pessoas, gosto de saber que o que faço, faço muito bem, gosto das pessoas com quem trabalho, gosto dos meus horários, gosto do meu vencimento ao final do mês (praticamente igual ao que ganhava num centro de estudo e a trabalhar metade das horas de antigamente). Tenho um curso superior e trabalho num lugar que qualquer pessoa com a escolaridade mínima obrigatória poderia ocupar. Mas hoje sei que tenho mais tempo para a minha família, hoje sei que a minha cabeça não anda louca como andava há uns belos anos atrás, hoje sei que posso tirar dias de férias sem ser obrigatoriamente na última quinzena de Agosto - nunca podia escolher outra altura do ano. Hoje sei que sou bem tratada onde trabalho, hoje sei que posso ir à casa de banho quando estou apertadinha, hoje tenho tempo para lanchar, não tenho de comer às escondidas como antigamente (se levássemos lanche de casa não podíamos comer à frente das crianças e um dia a minha ex patroa chegou a dizer que tínhamos de ir comer para o wc).


Hoje é aqui que me sinto bem. 
E não há dinheiro nem estatuto que compense o que encontrei neste trabalho.




6 comentários:

Gorduchita disse...

Não há mesmo! Que bom que tudo corre bem e que gostas de onde estás e do que fazes! :)

Cisca disse...

AMO ESSA FRASE !!!

Green disse...

Fico muito feliz por te ler assim, de facto ter um trabalho em que chegas a casa e podes desligar, é o sonho para quem trabalha nesta área das explicações e do apoio ao estudo. Ainda bem que está melhor :)

J* disse...

Acredito que a decisão não tenha sido tomada de ânimo leve, mas parabéns pela coragem de dar uma volta à sua vida! E fico muito feliz por essa mudança ter corrido tão bem! Só lhe desejo o melhor!
https://jusajublog.blogspot.com/

Coquinhas disse...

Concordo tanto mas tanto com a frase da imagem... Temos é que ser felizes. Eu também não trabalho na área e, neste momento, só uma proposta assim mesmo maravilhosa é que me faria voltar à área. Que continues muito feliz

Saltos Altos Vermelhos disse...

Há coisas na vida que valem muito mais que um emprego que nos maltrata e a vida é tão curta, não vale a pena desperdiçar a nossa preciosa vida com quem não nos valoriza :)