Sou filha única. Infelizmente. Lembro-me de andar anos e anos a pedir aos meus pais um irmão ou irmã. Nunca gostei de ser filha única. Sendo a prima mais velha, lembro-me de brincar com os meus primos pequeninos, em que eu fazia de conta que eles eram meus irmãos e lá ia eu tratar deles e andar com eles ao colo, na esperança que um dia, de facto, a cegonha se lembrasse de trazer um mano para mim.
Sempre que eu "reclamava" por ser filha única, diziam que assim eu não tinha de me chatear com ninguém, dividir os meus brinquedos, etc.
Eu nunca vi nisso vantagens.
Felizmente considero que não padeço de alguns estereótipos associados a "filhos únicos": sei partilhar, por vezes até demais. E ter para mim uma irmã/irmão seria uma enorme companhia hoje em dia. Confesso que gostava imenso de saber o que é ter uma irmã ou irmão, uma pessoa em quem eu pudesse confiar plenamente, uma pessoa a quem eu facilmente diria "vais ser a/o madrinha/padrinho da minha filha".
Acredito que ter irmãos faz de nós pessoas diferentes. E sei que não quero que a minha Pimentinha seja filha única, mesmo que me digam que a vida pode estar difícil e que hoje em dia ter dois filhos já é considerado uma "pequeno ato loucura" [para mim não é].
Há pessoas que podem aparecer na nossa vida a quem nós chamamos de "irmãos" devido à cumplicidade que se vai criando, mas não é a mesma coisa. Irmão é coisa para a vida. E eu tenho tanta pena de não saber o que isso é.



