Gosto muito de trabalhar com crianças, mas há alturas em que
me sinto desgastada. O ano passado tive 15 dias de férias num ano que foi de
loucos (este ano só terei mais tempo devido à licença de maternidade, que nem
será usufruída em pleno).
E estas duas últimas semanas foram de cair para o lado. Com
os miúdos em férias de Páscoa, no meu trabalho isso normalmente traz um
acréscimo de tarefas, pois eles estão lá o dia todo. É nestes dias que é
preciso ter mais energia do que o normal. E energia é coisa que eu sinto que me
tem faltado.
A responsabilidade de arcar com o peso da dinamização das
atividades de férias, o estar horas e horas sem me sentar, de um lado para o
outro, a dinamizar jogos, etc e com uma barriga quase a chegar aos 7 meses de
gravidez resultou em inícios de noite no sofá com os pés feitos num oito, dores
de costas e afins.
Supostamente é fácil entreter miúdos. Pois, eu não concordo.
Quando temos um grupo com uma faixa etária entre os 6 e os 12 anos, encontramos
gostos diversificados, o que torna mais difícil conciliar atividades comuns de
encontro às suas preferências. O que uns gostam, os outros podem não apreciar.
E depois facilmente se cansam. É preciso
ter sempre ideias. [Quantas vezes vou eu para a Fnac à procura de dinâmicas de
grupo e jogos de equipa?]
Gosto muito deles e não imagino o meu dia sem os meus miúdos,
sem as “estupidezes” deles que me fazem rir, sem os desenhos que fazem para mim
e para a minha Pimentinha, mas às vezes apetece-me desligar-lhes o botão, às vezes
é preciso respirar fundo uma, duas, três vezes.
Mas posso dizer, sem sombra de dúvidas, que não me vejo a
fazer outra coisa. Não me consigo imaginar a trabalhar atrás de uma secretária,
em frente a um computador, por exemplo.
Mas agora aproximam-se quatro dias que me vão saber a autênticas
férias. Quatro dias em casa é como que entrar no paraíso por umas breves 96
horas.
Se não vier cá até lá, uma boa Páscoa para todos*