terça-feira, 23 de julho de 2019

Lá venho eu reclamar do tempo. Mas não tenho culpa do S. Pedro me dar razões para tal.

Este está a ser, talvez, o verão mais atípico dos últimos que me lembro. O ano passado já foi fraquinho, mas este ano a coisa está ainda a ser pior. Convém dizer que moro na zona de Gaia, quase pertinho de Espinho, perto da praia. Quando no telejornal, anunciam que vem aí altas temperaturas, por aqui só vejo nevoeiro de manhã, nortadas à tarde e basicamente poucos foram os dias que o casaco ficou em casa, ao ir para o trabalho.

Já sei que no interior tem havido altas temperaturas (e os fogos que por aí andam são a prova disso – mas também a prova de que ainda há muito a fazer para evitar que haja malucos a pôr fogo posto). Já sei que para o Algarve, a coisa também anda boa, mas chiça, por aqui, até enjoa esperar pela tarde para ver um raio de sol.

A minha filha está a fazer praia com a escolinha.
Três semanas.
Na primeira semana, apanharam dias bons – e eu a ansiar que o verão tivesse chegado para ficar, na semana passada foram uma única manhã à praia. E hoje, voltaram a ficar na escola. Quando saí de casa, estava aquela chuvinha fininha que caía na cara e ela disse logo “hoje não vamos à praia outra vez”.

E quanto a este assunto da praia com crianças, tenho visto vários autocarros em direcção à praia cheio de miúdos. Felizmente, onde a S. anda, há o bom senso de não levar os miúdos para a praia quando nem um palmo se vê à frente por causa do intenso nevoeiro. Por três semanas de praia, pagamos o acréscimo de 7,50€ na mensalidade. Ainda no outro dia, uma mãe comentava comigo que pagou 80€ para o filho ir para a praia com a escolinha. 
Felizmente, a minha S. anda numa IPSS, que tem meios próprios de transporte para a praia que nem a 1 km fica. Bem sei que há muitas instituições que vão na mesma com os miúdos para a praia, mesmo com este tempo tão pouco convidativo, porque depois não têm como justificar aos pais que pagaram balúrdios pela praia, o facto de afinal não irem.



Aparte estas questões, a verdade é que eu não peço, ao S. Pedro, calor tórrido. Peço sim, manhãs com sol ameno, dias em que o casaco possa ficar em casa. E as noites, por aqui, minha gente? Frias que eu sei lá! Ainda ontem, saí do centro de Gaia, estava sol, apesar de não estar um fim de tarde agradável, e cheguei a casa e estava um nevoeiro frio.


Meu querido S. Pedro, peço-te encarecidamente que leves estes ventos frios, este nevoeiro para longe, se quiseres até os podes guardar num baú. Vê se distribuis o bom tempo e as boas temperaturas de forma mais igualitária por este Portugal. 
Eu agradeço-te. 
E os meus filhos também. 

terça-feira, 16 de julho de 2019

Quando arriscamos e a coisa até corre bem.

Há precisamente um ano começava uma nova etapa na minha vida profissional.

Durante 10 anos trabalhei em centros de estudos e percebi o que de mal (e de bom) acontece neste tipo de serviços. Aprendi muito mas também passei por muito. Ninguém imagina a pressão a que somos sujeitos e no meu último posto de trabalho, onde estive 7 anos a recibos verdes, onde dei tudo de mim, fui trabalhar doente, dormi mal muitas noites, pus do meu dinheiro para comprar material, gastei dinheiro em consultas com um psicólogo para me ajudar a lidar com tanta coisa que ia acontecendo, preparei muitas fichas e explicações em casa, cheguei a trabalhar 15 dias seguidos sem um único dia de descanso pelo meio e não estava a sentir o retorno do meu trabalho. Entre tantas outras coisas.

O nascimento do J. foi a reviravolta que eu precisava na minha vida. O tempo que fiquei em casa com ele foi fundamental para perceber que não conseguiria voltar àquele trabalho tendo dois filhos em casa, os quais não tinham culpa de eu despender tempo e energia com os filhos dos outros e não ter tempo para os meus.

Em final de Junho do ano passado, pus lá os pés pela última vez para dizer que não voltava. E passado 15 dias, surge a oportunidade de começar numa área totalmente diferente: no atendimento ao público, onde um curso superior não é, de todo, exigido a quem lá trabalha.

Arrisquei.

Precisava de trabalhar em algo diferente, precisava de saber se aquele trabalho me iria finalmente permitir chegar a casa e desligar.
O que eu queria mesmo era isto: um trabalho que me permitisse chegar a casa, ativar o botão off e estar com a minha família sem estar a pensar nas 7648326587 tarefas que teria de fazer no dia a seguir.

Passado um ano de lá estar, posso dizer que foi das melhores decisões que tomei nos últimos tempos. Ainda hoje noto alguma descrença quando me perguntam “Mas gostas mesmo do que fazes agora?
Sim, gosto muito. 
Gosto de lidar com pessoas, gosto de saber que o que faço, faço muito bem, gosto das pessoas com quem trabalho, gosto dos meus horários, gosto do meu vencimento ao final do mês (praticamente igual ao que ganhava num centro de estudo e a trabalhar metade das horas de antigamente). Tenho um curso superior e trabalho num lugar que qualquer pessoa com a escolaridade mínima obrigatória poderia ocupar. Mas hoje sei que tenho mais tempo para a minha família, hoje sei que a minha cabeça não anda louca como andava há uns belos anos atrás, hoje sei que posso tirar dias de férias sem ser obrigatoriamente na última quinzena de Agosto - nunca podia escolher outra altura do ano. Hoje sei que sou bem tratada onde trabalho, hoje sei que posso ir à casa de banho quando estou apertadinha, hoje tenho tempo para lanchar, não tenho de comer às escondidas como antigamente (se levássemos lanche de casa não podíamos comer à frente das crianças e um dia a minha ex patroa chegou a dizer que tínhamos de ir comer para o wc).


Hoje é aqui que me sinto bem. 
E não há dinheiro nem estatuto que compense o que encontrei neste trabalho.




domingo, 7 de julho de 2019

Quando os filhos adoram o Panda e nós vamos arrastados nesta onda.

Há precisamente uma semana estávamos a passar a manhã no Festival Panda. Pelo segundo ano, lá fomos, com a novidade que este ano levamos um primo da S. que também queria muito ir. 
Chegar lá e ver as filas para os insufláveis, trampolim, pinturas faciais e afins foi como voltar à sensação de estar na Disneyland e ter de encarar, com ânimo leve, o tempo de espera. 

E como é que correu no geral, perguntam vocês?

Perspectiva da filha e do primo - É um espetáculo, queremos muito voltar para o ano.

Perspectiva dos pais (eu e o Apimentado) - Continuámos a achar que é muito dinheiro gasto numas curtas horas de diversão. O  merchandising associado ao evento é caro que mete dó. Uma t-shirt do Festival custa 15€. O ano passado, a S. comprou uma. Este ano, quis uma t-shirt deste festival noutra cor, quis trazer uma para o irmão (que não foi porque achamos que é muita confusão para uma criança de quase 16 meses) e o primo, ao ver que a prima ia trazer uma recordação, também quis uma t-shirt. Concluindo: 3 t-shirts compradas e 45€ que voaram. 

E é nestas alturas que eu penso que há tanta coisa que não compro para mim e para os meus filhos, nem se pensa muito na hora de abrir os cordões à bolsa. Ser mãe também é abdicar de certas coisas em prol deles. 


O mais certo é para o ano lá estarmos novamente. Porque a S. já sabe que o festival acontece por altura do aniversário dela e acaba por ser o presente que nós lhe damos. Mas, como mãe, pegava nesse dinheirinho e investia noutras coisas. Mas a felicidade dos filhos sobrepõem-se a muitas outras coisas: ainda na sexta feira, ela levou a T-shirt do Festival para a escola com a maior das alegrias porque adorou aquela manhã!



sexta-feira, 5 de julho de 2019

A primeira festa de aniversário da minha filha com os amigos

No meu tempo, os aniversários eram comemorados em família e só quando cheguei à adolescência é que os amigos (apenas aqueles mesmo próximos) é que se juntaram aos festejos.

Hoje em dia, tudo está diferente. Todos sabemos que os miúdos atualmente já são convidados para várias festas de aniversário e entretanto surgiu o booooom de sítios especificamente criados para este tipo de festejos.

O ano passado, a S. teve o seu primeiro convite e depois disso, nunca mais perdeu a ideia de que quando fizesse 5 anos também queria fazer uma festa para os amiguinhos. Acedemos no sábado passado foi a festa dela e da L. e do L. que também comemoram o aniversário nesta mesma semana.

Claro está que os miúdos adoraram a festança e o difícil foi vir embora. Há um magnetismo qualquer inexplicável entre crianças e insufláveis e pinturas faciais. E a festa continuou em casa, na altura de abrir os muitos presentes que trouxe. 
E quanto a isto, confesso que, como mãe, gostei muito do facto da grande maioria dos presentes que a minha filha serem roupa. A verdade é que aproveitei muito pouca roupa do ano passado, a maior parte das coisas já não servia e tive de ir às compras para a S., mas reconheço que ainda teria de ir comprar mais umas coisitas em saldos mas assim sendo, com a roupa recebida, a coisa compôs-se e acho que já não vou ter de desembolsar mais dinheirito, pelo menos com roupa para a filha mais velha. 

Isto é a minha perspectiva como mãe.

Para a minha filha, roupa era presente que ela dispensava bem. Por ela, era tudo bonecos e jogos - se ainda vejo algum objetivo pedagógico nos jogos que recebeu, quanto aos bonecos/brinquedos, só rezava para que não fossem muitos, porque começo a ter pouco espaço para acolher tanta coisa cá em casa - e por isso mesmo, no domingo passado, houve arrumação e revisão de brinquedos e dois sacos enormes irão para a garagem e depois logo se verá o que fazer com eles!

sexta-feira, 28 de junho de 2019

Professores que facilitam a vida aos alunos.

Os miúdos já muito entraram em férias.
Como sabem, estou a trabalhar na área do atendimento ao público em part time e paralelamente, dava explicações a dois miúdos: o G., no 3º ano e a I. no 6º ano.
Agora, em férias escolares, as explicações do G. são para manter, mas as da I. terminaram. Ela vai para o 7º ano e aí já não me aventuro. Pessoalmente, sei que presto um bom serviço na área da minha competência, mas a partir do 7º ano, já não sinto que possa prestar um apoio de excelência.

E a I. foi um caso sério este ano letivo que passou. Quando peguei nela, em Outubro do ano passado, deitei as mãos à cabeça. Tinha chumbado no ano anterior, estava no 6º ano novamente. Não conseguia escrever uma frase sem erros (quando me mandava SMS tinha de as ler umas 4 vezes para ver se percebia mesmo o conteúdo), para calcular 12+7 usava os dedos, a inglês, num 6º ano, nem os números até 10 escrevia direito. E a lista poderia continuar de coisas que me fizeram pensar em abandonar o barco, passado umas duas semanas de ter começado as explicações.

Mas tive pena das miúda. Porque ela estava assim porque a mãe não tinha a mínima noção de que ela precisava de um apoio individualizado há MUITO tempo atrás, já desde o início do primeiro ciclo. Estava assim porque em casa, o acompanhamento escolar era nulo: ninguém estava muito preparado com testes, com fichas, com nada. Avisei a mãe que duas explicações por semana numa aluna com tantas lacunas seria um desafio, mas faria o melhor que podia.

Paralelamente, a responsabilidade não era muito, da parte da miúda. Muitas vezes tinha a explicação preparada para Português, por exemplo, e afinal havia teste de Inglês no dia seguinte e ela nem me tinha avisado e eu tinha que improvisar porque não tinha material comigo de acordo com o que era suposto estudar.

A coisa foi andando e chegamos ao final do ano letivo com 3 a todas as disciplinas. Desafio superado. Passou de ano e em Setembro estará no 7º ano.
Mas o que me leva a escrever este post é a falta de rigor de alguns professores que estão nas escolas. Não é fácil ser-se professor numa turma como a da I. Ela contava-me situações que se passavam nas aulas que me fazem pensar que isto está muito mal.

Mas no caso concreto dos professores da I, o rigor da docente da disciplina de Português deixava-me perplexa. Apanhou esta professora pela primeira vez este ano. Nos anos anteriores, a I. sempre tirou negativa a Português e eu percebo perfeitamente isso. Não sabe escrever, é capaz de escrever um texto de dez linhas sem um único ponto final, sem vírgulas, sem conexão de ideias, são meras palavras soltas e já nem falo dos erros ortográficos. Gramática zero: distinguir um nome comum de um adjetivo era coisa para dar voltas e voltas à cabeça. Expressão escrita é o terror completo. E ler? Minha gente, ter à minha frente uma miúda de 12 anos a ler e a juntar sílabas, à boa maneira do 1º ciclo, deixa-me triste. Como podemos ter alunos assim?

Mas, surpresa das surpresas, este ano a I. com esta professora tirou SEMPRE positiva. Ela e toda a turma. Nunca houve negativas a esta disciplina naquela turma cujos alunos estavam longe de serem considerados bons. 

Ao ver os critérios de correção dos testes da I., percebi tudo. Uma professora que não exige pontuação nos testes, uma professora que numa composição nem erros corrige, limitando-se a pôr um visto, não exige a assinalação correta de parágrafos, não exige respostas completas. E lembro-me bem de quando trabalhava num centro de estudo e os meus alunos apanhavam professores de Português exigentes, em que para tirar um 3 era preciso trabalhar e trabalhar e trabalhar. Um 3 de alguns daqueles professores era um 5 com esta professora que a I. teve este ano.

A mãe da I. ficava feliz da vida com as positivas a Português. 
E eu? 
Eu ficava com a sensação de injustiça. O 3 da Inês é fictício. Como é óbvio, eu como explicadora dela queria era boas notas, mas não posso deixar de ficar triste por termos professores no ensino que facilitam a este ponto. 
E se no 7º ano, a I. apanhar uma professora assim, a vidinha vai continuando a correr bem. Se apanhar uma professora como deve ser, vai ser bonito, vai.  

No meio de tudo isto, quem são os maiores prejudicados? Os alunos. Que não são devidamente preparados para o futuro. 


A minha filha, tendo ainda apenas 5 anos, vai entrar para a primária para o ano. Não quero um(a) professor(a) que lhe facilite a vida. Quero um(a) professor(a) que a prepare convenientemente para o futuro, não quero um(a) professor(a) que ofereça notas. 



quinta-feira, 27 de junho de 2019

Update

O tempo tem andado contado para vir cá. Mas muita coisa tem acontecido. 
Fiz 33 anos na semana passada, num dia em que fui marchar numa festa da escolinha da minha filha. Fui por ela, pela alegria dela de saber que a mãe ia participar na festa, juntamente com outros pais. 

Entretanto, a minha S. fez 5 anos no dia de São João. Fizemos uma festa para a família e, ao contrário dos outros anos, fizemos fora de casa. Não é fácil albergar 28 pessoas cá em casa e foi a melhor decisão que tomamos. A casa não ficou virada do avesso, a S. ficou feliz na mesma por ter as pessoas por perto neste dia tão especial para ela. Depois de sermos pais, acabamos por dar mais valor ao dia de aniversário dos filhos do que propriamente ao nosso. Pelo menos por aqui, foi isso que senti. 

E no próxima fim de semana, a festa continua. O problema dos nossos filhos começarem a ir a festas dos amiguinhos da escola é que depois também querem fazer a sua própria festa. E no próximo sábado, pela primeira vez, a S. vai fazer a festa dela com os amigos. E vai partilhar a festa com dois amigos gémeos da mesma sala da escolinha porque, sem combinar nada, eu e a outra mãe marcamos a festa dos respetivos filhos para o mesmo sítio e para a mesma manhã. 

E domingo de manhã, lá estaremos no Festival Panda. Fomos o ano passado, pela primeira vez, a vontade de repetir, da minha parte, não era lá muita, mas a miúda quer muito ir, a publicidade ao evento no Canal Panda é a toda a hora e pronto: fizemos-lhe a vontade como uma espécie de presente de aniversário depois do dia.